Confissão Ardente: Luxúria no Bordel de Lautrec

Uma porta se fecha atrás de mim. Lanterna tremula na noite. Cortinas de veludo vermelho pesam no ar. Latonarias brilham frias. Mulheres de cabelos longos circulam. Brunetas sedutoras. Loiras insolentes. Ruivas com coques apressados. Maquiagem excessiva nos rostos. Sorriso inocente. Suspiro provocante. Olhares que prometem tudo.

Homens entram. Todos os âges. Sobretudos longos. Chapéus inclinados. Notário ao lado do gendarme. Guardiões da virtude caem na tentação. Filhas da noite consolam hipocrisias. Risos ecoam. Gemidos escapam. Fumo de charutos. Cheiro de álcool forte. Incenso e néroli misturam-se. Ambre gris na pele.

A Febre

Eu subo as escadas. Quarto escuro. Espelho alto reflete minha sombra. Duas velas acesas piscam. Remonto a saia de veludo. Sento no fauteuil. Ecaro as pernas devagar. Só bas de soie. Porte-jarretelles vermelhos em renda. Nada mais. Como prostituta obediente. Quero ler o desejo nos teus olhos.

Coração martela. Pele queima. Ar pesado gruda no corpo. Dedos deslizam. Centro úmido pulsa. Abro-me mais. Imagino-te aí. Sexo inchando. Urgência cresce. Vermelho invade tudo. Respiração ofega. Mamas pesam. Mamilos endurecem. Calor sobe do ventre. Ondas quentes lambem a espinha.

Corpo treme. Ritmo acelera. Batidas surdas no peito. Suor perola a testa. Pernas tremem abertas. Dedos mergulham. Umidade escorre. Gemo baixo. Olhos no espelho. Vejo a vadia em mim. Desejo devora. Perco o controle. Tudo vermelho. Febre total.

O Braseiro

Tu vens. Avanças. Olhar de brasa. Desabotoas o colete. Gravata solta. Mãos ásperas tocam. Eu abro mais. Tu pesas meus seios. Dedos apertam. Boca faminta chupa. Língua serpenteia. Meu coração explode. Ritmo selvagem. Corpo arqueia. Tu entras. Duro. Profundo. Golpes ritmados. Pele contra pele. Suor mingua. Gemidos altos. Unhas cravam. Cabelos emaranhados. Pernas em torno. Possessão bruta.

Calor multiplica. Ventre contraí. Sexo aperta. Tu aceleras. Mais fundo. Mais forte. Grito primal. Orgásmo rasga. Ondas violentas. Corpo convulsa. Tu gozas dentro. Quente. Cheio. Sem filtros. Animais no escuro. Lustres vermelhos iluminam. Chamas lambem curvas. Nudez oferecida. Carne tremendo.

Corpo relaxa. Pernas caem moles. Pele ainda arde. Suor esfria devagar. Respiração acalma. Olho o espelho. Rostos suados. Teu cheiro em mim. Cabelos desgrenhados. Mamas marcadas. Ventre lateja. Sinto-te escorrendo. Placer vivido. Único. Profundo.

Fora, risos continuam. Escadas rangem. Outras submissões. Lautrec pintava isso. Fusain rápido. Cores vivas. Minhas curvas eternas. Cem anos depois, sinto o mesmo. Hipocrisia dos homens. Mães e putas separadas. Eu escolho a chienne. Teu reino. Minha rendição. Cinzas quentes sob a pele. Vida pulsando. Real. Eterna.

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