Confissão: A Noite Selvagem que Me Fez Voar Como um Pássaro

Casal abraçado

O quarto do hotel em Londres cheirava a cigarro e solidão. Última noite. Eu esperava na cama, o coração batendo forte contra as costelas. Paolo devia voltar a qualquer momento. Saí com os amigos, disse ele. Horas vazias. Meu corpo ardia. Clitóris inchado de desejo. Lembrei das manhãs antigas, sua ereção colada em mim. Agora, nada. Só o vazio. Três da manhã. A porta range. Ele entra, cambaleando. Cheiro de álcool forte. Olhos flutuando. Eu sorrio. Do fundo da cama. Um sorriso de boas-vindas. Ele vê reproche. Palavras saem como facas. ‘Feia. Burra. Me sufocas. Me fazes vomitar.’ Coração acelera. Pele queima. Levanto-me. Vou para a porta. Ele agarra meus cabelos. Puxa com força. Dor lancinante no couro cabeludo. Joga-me na cama. Corpo rígido. Boca fechada. Nenhum grito. Silêncio meu o excita. Mais que risos. Mais que alegria. Ele rasga minha roupa. Dedos brutais na pele. Meu peito ofega. Medo e fome misturados. Ele se despe. Sexo duro, latejante. Avança. Tudo vermelho. Febre sobe. Meu ventre pulsa. Umidade traiçoeira entre as coxas. Quero-o. Apesar de tudo.

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Corpo dele esmaga o meu. Peso total. Mãos apertam pulsos. Dor boa. Ele me penetra. Violento. Sem piedade. Cada estocada rasga. Profundo. Selvagem. Meu coração explode no peito. Ritmo alucinante. Suor escorre. Pele colada, escorregadia. Ele grunhe. Animais. Eu gemo baixo. Não resisto. Quadris sobem. Encontro-o. Mais fundo. Clitóris roça nele. Ondas vêm. Ele me bate. Punho no rosto. Vertigem. Sangue na boca. Gosto metálico. Lágrimas quentes. Mas o prazer cresce. Devorador. Ele pula mais forte. Carne contra carne. Estalos molhados. Meu cu contrai. Vagina aperta ele. Perco o controle. Grito abafado. Ele goza. Jatos quentes dentro. Enche-me. Corpo treme. Eu venho atrás. Espasmos violentos. Unhas cravam nas costas dele. Marcas vermelhas. Êxtase total. Perigoso. Proibido. Ele desaba. Sem olhar. Dorme.

A Febre

Fico imóvel. Nua. Fria. Pele ainda queima. Entre as pernas, sêmen escorre. Misturado ao meu. Sangue no lábio inchado. Olhos fixos no teto. Coração desacelera devagar. Dor lateja no rosto. No peito. Mas vivi. Algo único. Intenso. Ele acorda de manhã. Como se nada. Vê meu rosto tumefiado. Ignora. Café. Croissants. Palavras banais. Fala do regresso ao seu país. Eu sorrio. Máscara. Angústia no ventre. Levo-o ao aeroporto. Beijo fugaz na cara. Ele vai. Eu volto ao apartamento. Baía aberta. Varanda. Olho o vazio. Fredono na cabeça: ‘I’m like a bird’. Paolo disse que era fácil. Bastava saltar. Nada me toca. Só cinzas quentes na pele. Desejo eterno. Perda de controle. Liberdade bruta. 642 palavras.

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