Confissão Ardente na Floresta da Sologne: O Rugido que Nos Devorou

A Sologne engole tudo na bruma de setembro. Vinte quilómetros de estrada reta, florestas densas, sangliers à espreita. Eu volto do turno, coração apertado por Karine, mas agora é Agathe que me queima. Ciré vermelho, béret, olhos negros profundos. Pego-a na boleia, três quilómetros até La Berlue. Conversas curtas. Jacques partiu, bêbado para a cura. Sozinha na cabana de cheiros a cabra. ‘Vou mostrar-te girolles em Girolles’, diz ela, ar bravio. Caminhamos o caminho de terra. Passos dela ondulam, pernas nuas sob a saia leve. Mão na mão. Ela puxa-me por um trilho de caça. Folhas roçam a pele. Respiração acelera. Chegamos à clareira minúscula. Mossa macia, urze. ‘Há girolles aqui’, mente ela, agacha-se. Eu junto-me. Corpos colados. Cheiro dela invade. Coração martela no peito. Olhos dela fixos nos meus. Enfia a cara no meu ombro. Alento quente na face. De repente, um bramido rasga a noite. Cerf em cio. Agathe enlaça-me o pescoço. Peitos esmagados contra mim. Coração explode. Pele arde. Mãos na cintura dela. Selvagem.

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