Confissão Devoradora no Banco que Escuta
No square municipal de Saint-Fondu-en-Bouse, sob o platane centenário. O ar quente de verão gruda na pele. Caminho devagar, pernas tremem. O banco me atrai. Madeira velha, marcada por tantos segredos. Sento. Nádegas nuas tocam o assento áspero através da saia fina. Coração martela no peito. Bum-bum. Bum-bum. Mais rápido. O banco vibra de leve. Não resisto. Verdade sobe pelas coxas, queima o ventre. Olho ao redor. As sombras. O estrangeiro ali, encostado numa árvore. Olhos escuros, sorriso tímido. Corpo largo, mãos calejadas. Imagino elas em mim. Aperto as coxas. Calor explode entre as pernas. Umidade escorre. Quero ele. Agora. Aqui. Perigoso. Público. Mas o desejo devora. Levanto a voz. ‘Eu te quero. Quero te foder selvagem neste banco. Sentir teu pau duro me rasgando.’ Palavras saem roucas, ofegantes. Ele para. Olha fixo. Entende o tom, o fogo nos olhos. Passo a língua nos lábios secos. Pele arde. Coração galopa como cavalo solto. Ele se aproxima. Lento. Cada passo acelera meu pulso. Cheiro dele: suor, terra, homem. Mãos tremem no colo. Saia sobe sozinha. Ar fresco lambe a umidade. Ele para na minha frente. Silêncio pesado. Banco range. Desejo vermelho engole tudo.



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